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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PROPOSTA PARA A NORMALIZAÇÃO ORTOGRÁFICA DA LÍNGUA TÉTUM


Considerações prévias
Carecendo o tétum de uma norma ortográfica aceite pela comunidade dos seus falantes, fundamentalmente por se tratar de uma língua de tradição oral, tornou-se necessário assumir alguns princípios orientadores da grafia das suas palavras, de modo a obter-se uma representação ortográfica minimamente sistemática e coerente dos sons que elas apresentam.
Dessa tentativa resulta a presente proposta de normalização ortográfica. A sua aceitação (ou não) dependerá da vontade da comunidade timorense expressa pelas autoridades competentes no momento  que for julgado oportuno.
O principal princípio que rege esta proposta de normalização é o de aproximar a ortografia do tétum da sua realização fonética, procurando-se, portanto, optar por ma relação o mais biunívoca possível entre cada som e cada grafema.
Dado que a língua tétum carece de uma descrição gramatical que inclua não só aspectos morfológicos, sintáticos, semânticos e pragmáticos, mas ainda fonológicos, a descrição que agora se apresenta dos sons do tétum é apenas uma descrição genérica, que não tem por base quaisquer estudos fonéticos e fonológicos prévios, mas que pretende ser  tão só o registro das intuições lingüísticas e da observação do seu autor.
Não se conhecem, portanto, a natureza e o escopo das regras fonológicas próprias desta língua, pelo que não é possível descrever com pormenor os contextos em que as diferentes realizações do mesmo som ocorrem.
SONS EXISTENTES EM TÉTUM
1.       VOGAIS
As vogais têm, em tétum, realização semelhante àquela que têm em português, admitindo, porém, algumas variações na sua realização fonética.
A [a] – vogal aberta. Exs:
ba, ba­ku, matak, fatuk
A vogal gráfica “ a “ – realiza-se como vogal média – quando seguida das consoantes m [m] ou n [n]. Ex: ami;  hakanek; liman.

E [e] – vogal aberta não recuada. Exemplos: haré, metan, feto, semo.

Esta vogal realiza-se como [e]- vogal média não recuada – em posição Tonica de alguns dissílabos ou antes das consoantes m [m] ou n [n]; neste contexto a vogal nasaliza-se ligeiramente. Exemplo: etu, terus, ema.

i[i] vogal alta não recuada. Exemplo: bibi, ida, ikus, biti.

O[o] – vogal aberta não recuada. Exemplo: ro, soe, ksolok, modo, sedok, semo.

Esta vogal realiza-se como [o] – vogal média arredondada – em alguns contextos em que a vogal ocorre como Tonica. Exemplos: hahoris, hamonu, hahonu, hamohu, tatoli.

U [u] – vogal alta arredondada recuada. Exemplos: fatuk, suku, subar, futu.

As vogais duplicadas como em:  aas, aat, iis, pronunciam-se de modo decrescente.

  
CONSOANTES
São os seguintes os sons consonânticos existentes em tétum:

CONSOANTES OCLUSIVAS
B[b] – bilabial vozeada. Exemplos: baku, bulak, toba, tebes.

Por vezes o som [b] realiza-se como vogal alta arredondada recuada [u], sobretudo no tétum não veicular, quer em

posição inicial. Exemplos: labarik > lauarik; bani > uani; bé  ué.

 bilabial nasal. Exemplos: masin, mai, mamuk, manas, namlele, namkari, namtate

t[t] – alveolar surda. Exemplos: ata, tatá,  biti, tama, titu, toba

d [d] – alveolar vozeada. Exemplos: dasa, dada, badak, dalan.

N [n] – alveolar nasal. Exemplos: nakali, sena, tunu, nabilan, matan, fulan

K [k] – velar surda. Exemplos: karau, kabelak, kabun, klamar, hamulak, fatuk, karik, hakarak, dikin, nakoron, hakrai, hakseok, nakdulas, hakfuit, hakmá

‘ [?] – glotal. Exemplos: há’u, namse’uk, namu’uk, ne’e

CONSOANTES FRICATIVAS

F [f] – labiodental surda. Exemplos: fasi, fahi, futu, huruf, nafatin, hafali, hafoli

S [s] – alveolar surda. Exemplos: sala, sana, sira, subar, tasak, tasi, mesak, besi, bosok

H [h] glotal surda. Exemplos: hakrai, hafoli, heti, horon, nahe, fihir, fuhuk.

CONSOANTES LIQUIDAS
L [l] lateral aproximante. Exemplos  lalar, lia, lolon, luli, há’ul

R [r] – batimento alveolar. Exemplos: maran, morun, batar, Raí, resin

Foram ainda, introduzidas no tétum as seguintes consoantes, em especial devido à importação de palavras que se apresentam, predominantemente de origem portuguesa.


P [p]- oclusiva bilabial surda. Exemplo: parti, perdua, polisi, ospitál, konpadre, kopu

G [g] – oclusiva velar vozeada. Exemplos: gaba, gabeta, guarda, Batugadé, igri, kananga, kabangi, suange.

V [v] – friativa labiodental vozeada. Exemplos: vidru, viola, kovi, noivu, televisaun

Z [z] – fricativa pós alveolar vozeada. Exemplo: televizaun, ardozi, bandeza, ezenplu, kamiza

J [3] fricativa palato alveolar. Exemplo: janela, jornal, juinu, anju, enjineiru, evanjelu.

ESTRUTURA SILÁBICA
Os tipos de silabas mais comuns em tétum são os seguintes:

Consoante + vogal (CV). Exemplos: hare, haluha, hatena;

Consoante + vogal + consoante (CVC). Exemplos: baburit, hakfilak, nakfunan

As sílabas que apresentam vogais diferentes realizam-se como ditongos decrescentes. Exemplos badaen, karau, halai.

A única exceção a esta regra recenseada é a palavra ué, que, por isso, fica acentuada graficamente.

Em geral, não podem ocorrer ditongos em posição inicial de palavra.



ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS
Na língua tétum, a maioria das palavras com mais de uma sílaba são paroxítonas, isto é, a sua sílaba Tonica é a penúltima. São raras as palavras oxítonas desta língua cuja última sílaba não contenha um ditongo; estas últimas são sempre oxítonas.

Em tétum não existem palavras proparoxítonas (acentuadas na antepenúltima silaba).

Assim, propõem-se as seguintes regras básicas de acentuação:

1.       Apenas se utiliza o acento agudo (´) para a marcação das silabas tônicas acentuadas graficamente. Ficam, portanto, excluídos quer o acento grave (`) quer o acento circunflexo (^).

2.       As palavras paroxítonas não recebem qualquer acento gráfico. Exemplos:  batar, feto, hanesa, labarik, metan, tasi.

3.       As silabas finais tônicas são sempre acentuadas graficamente. Exemplos haré, ha, ha, manán, lurón, hahán.

4.       As sílabas finais constituídas por ditongos são sempre tônicas, pelo que dispensa qualquer aceno gráfico. Exemplos: lakateu, tafui, haleur, halai.

5.       Os monossílabos, tais como e [e] , los, tur, lor, são, em regra, tônicos. Excetuam-se La, kA, que são proclíticos, e os monossílabos terminados em n, tais como tan, ran, han.

6.       O monossílabo ba escreve-se sem acento gráfico quer quando corresponde a preposição (ex. Ha’u Lori batar ba uma: Levo o milho para casa). Quer  quando corresponde ao verbo português ir (Exemplo: Há’u ba to’os: Vou à horta).

7.       As palavras com a oclusiva glotal representada por “ ‘ “ têm sempre como sílaba Tonica a anterior ao apóstrofo  e dispensam, portanto, qualquer acentuação gráfica. Exemplos.  Hana’i, hafo’er, hala’o, sasi’na, na’i.

USO DO HÍFEN
A tendência desta proposta é de manutenção do luso do hífen apenas nos seguintes casos:
- no caso de palavras resultantes de reduplicação. Exemplos: Abu-abu, bele-bele, krai-kraik;
- como elemento de ligação entre o verbo e o sufixo – án, que permite a construção da forma reflexa do verbo. Exemplos: kakama-án, kuda-án, lalin-án.

O seu uso em palavras compostas deverá, no lentanto, ser alvo de análise posterior.
                              

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